Alguma vez você já parou para observar a sua mente?
Se você fechasse os olhos agora e tentasse analisar cada pensamento que surge, o que encontraria? Provavelmente um turbilhão. Um momento você está planejando o jantar, no outro lembrando de uma conversa de três anos atrás, ou talvez criando um cenário imaginário sobre o futuro.
Essa "bagunça" mental não é um defeito seu, é a natureza da mente humana. E o Yoga, muito antes de ser uma prática de posturas físicas, nasceu como um guia para termos mais clareza e conseguir lidar de uma forma mais consciente com essa natureza.
Nos Yoga Sutras de Patanjali, um dos textos mais antigos do Yoga, logo no começo trás uma definição sobre o Yoga: : Yoga Chitta Vrtti Nirodha, traduzindo "O Yoga é o cessar das flutuações da mente".
Mas o que são essas flutuações? Patanjali as chama de Vrttis. Imagine que sua mente é um lago. Quando a água está agitada, você não consegue ver o fundo. Os Vrttis são as ondas. Se acalmamos as ondas, a água fica clara e conseguimos enxergar com clareza.
Patanjali nos ensina que existem cinco tipos dessas modificações mentais. Entender cada uma delas é o primeiro passo para não ser mais dominado por elas.
Os 5 Vrttis:
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Pramana - Conhecimento Correto: É quando sua mente capta a realidade como ela é. Você vê uma árvore e sabe que é uma árvore através dos seus sentidos, da lógica ou de fontes confiáveis. É o pensamento baseado em fatos reais e evidências.
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Viparyaya - Conhecimento Incorreto: É a famosa "ilusão". É quando por exemplo, você vê uma corda no escuro e jura que é uma cobra? Ou quando interpreta mal o tom de voz de alguém e cria uma briga que não existia? É quando a mente tira conclusões erradas sobre a realidade.
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Vikalpa - Imaginação ou Fantasia: Aqui é sobre o "e se?". São pensamentos construídos por palavras e imagens que não têm base na realidade presente. Se por um lado isso nos permite ter criatividade, por outro é o que alimenta um ciclo de ansiedade, projetando problemas imaginários que roubam a nossa paz no aqui e agora.
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Nidra - Sono Profundo: Pode parecer estranho pensar no sono como uma 'flutuação' da mente, já que parece que ela desliga. Mas Patanjali nos ensina que o sono profundo é, na verdade, um estado de 'presença da ausência'. É a mente focada no vazio. É por isso que, ao despertar, você consegue ter a percepção de que 'dormiu bem' ou de que 'não sonhou nada' — para ter essa lembrança, uma parte da sua consciência precisou estar lá, observando o silêncio
- Smriti - Memória: É a memória viva, o eco de experiências passadas que ressoa no presente .Às vezes, você não está reagindo ao que acontece agora, mas sim a uma lembrança que aquela situação despertou.
Tudo é criado pela mente!
O grande ensinamento por trás dos Vrittis é perceber que quase tudo o que experimentamos é uma construção mental. Nós não vemos o mundo como ele é, mas sim através das lentes dessas cinco flutuações.
Quando você sobe no tapetinho de Yoga, o objetivo não é "parar de pensar" - isso é impossível -, mas sim tornar-se um observador desses Vrttis. Ao identificar eles, você retoma o controle!
E é por tudo isso que seguimos praticando..
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